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Brasileiros são sustentáveis?

05/11/2018
 
Desde que me conheço por gente sou patriota.
 
Durante bastante tempo andei com camisa do Brasil, sempre me emocionei quando ouvia o hino nacional (e ainda me emociono), sempre admirei nossas belezas naturais, a diversidade de raças e credos, o sorriso receptivo do povo brasileiro. E não para por aí. Nossa música, nosso gingado, o sol que nos abraça e as noites estreladas.
 
Vi o Brasil crescer e evoluir. Mentes abertas para a inovação, para a criação de novas soluções e tantas outras coisas boas de se apreciar. Mas, confesso que quando saí do país, eu percebi que temos muito a melhorar.
 
Infelizmente, estamos vivendo dentro de uma cultura da vantagem e digo isso de forma geral. Falta em nossa sociedade a sinceridade, a real preocupação com o próximo, o se doar sem querer ter nenhuma vantagem. Não quero dizer com isso que temos que nos anular, de forma nenhuma é assim que penso. Mas. vejo que falta tanto para conseguirmos entender o real sentido de coletividade.
 
Toda vez que vejo alguém furar uma fila, parar em fila dupla, se esquivar de pagar algo, esconder informações, pensar mais no dinheiro do que no bem que pode gerar ao próximo, na venda de preço e não de valor, eu fico muito triste.
 
Outro dia, visitando amigos na Suíça, fiquei estupefata ao ver que se pode beber água de qualquer torneira, de qualquer rio. O que nós, que temos o maior aquífero do mundo, estamos fazendo com nossos rios, com nossa água, o bem mais precioso?
 
Poluir um rio com dejetos de empresas, jogando colchões, sofás, garrafas PET, lixo e tantos outros dejetos, certamente, não ajudará na sustentabilidade tão supostamente almejada por todos.
 
E não para por aí. Um carro básico na Suíça tem retrovisores retráteis, sinalização de velocidade de acordo com a via, GPS, controle antissono (o carro mantém o curso da via se percebe que você mudou de pista sem dar seta, subtendendo que você pode ter dormido ao volante, e ainda te envia uma mensagem para colocar as mãos de volta no volante caso tire-as) – e nem estou falando de um carro autônomo! Por que isso não chega até aqui?
 
Vamos além... lá, num casamento, após os noivos saírem da igreja, os convidados saem conforme as linhas dos bancos, respeitando uma fila, sem tumulto, com a maior organização e tranquilidade. Isso é respeito ao próximo!
 
A sustentabilidade não está apenas em manter a cidade limpa, mas também em manter relações humanas sustentáveis, respeitosas. O ser humano precisa ser respeitado, mas, acima de tudo, também respeitar.
 
Deveria ser óbvio que não se pega um trem sem pagar, afinal, trata-se de uma prestação de serviço e, para ela se manter, é necessário dinheiro.
Também deveria ser óbvio que o elevador de passageiros dentro do aeroporto de Guarulhos deveria estar sempre limpo, o que não me parece ser claro.
 
Desviar dinheiro, desrespeitar o próximo, dar um jeitinho...Nada disso faz do Brasil um lugar sustentável.
 
Nosso país é lindo, mas está sendo vendido por completo por não termos a capacidade de cuidarmos do que é nosso.
 
E isso começa da base: se não sabemos cuidar de nossas ruas, de nossos muros, de nossas árvores da calçada da frente de nossas casas, como podemos querer saber cuidar de nosso rico subsolo, de nossas deliciosas e abundantes águas?
 
A sustentabilidade precisa ser entendida e praticada. Ela precisa ser ensinada pois, infelizmente, está claro que não temos isso de berço.
 
Então, que consigamos aprender com quem é melhor do que nós nesse quesito e copiemos, nos modelemos de acordo com os bons, com os que sabem como fazer isso melhor do que nós.
 
Me pergunto se ainda conseguirei, nesta vida, ver que nossa população se preocupa realmente com seu vizinho, com seu amigo, consigo mesma.
 
É muito fácil dizer que tudo está ruim, mas, o que cada um faz para que seja melhor? Qual ato de cidadania, de educação e de bem-estar coletivo fazemos, a cada dia, todos os dias, para que isso mude? Eu diria que pouco, quase nada, infelizmente.
 
Quando conseguirmos entender que a fruta que plantamos tem que alimentar o nosso povo e depois ser exportada a sobra da safra e que o bom pode e deve ficar aqui (afinal, isso é autoestima, é respeito consigo, é valorização pessoal), aí sim, talvez comecemos a ser mais sustentáveis.
 
É claro que temos que exportar coisas excelentes, mas também precisamos fazer de nosso país um lugar excelente para se morar. Me entristece ver que há mais espaço para o feio e errado do que para o correto e bonito.
 
Mas, continuo tendo fé de que minhas crônicas, artigos e matérias toquem corações e mentes e façam com que haja um olhar mais crítico sobre o tema e que sejam geradas melhores ações, por cada um, e por todos os brasileiros e por aqueles que amam este maravilhoso país.
 
Mais respeito, mais amor, por favor!