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Inova Brain

27/08/2018

Outro dia estava em São Paulo e fui visitar um coworking gigante na cidade. A experiência foi muito interessante no sentido de ver como o mundo está mudando a uma velocidade extraordinária. Quando eu era pequena, ouvia isso de meus pais, mas hoje, confesso que me espanto mais do que eles se espantavam. E, para confirmar isso, ouvi de meu próprio pai, num desses dias: “Está bem difícil de acompanhar esse mundo”. Meu pai tem 76 anos e minha avó 90.
 
Tenho acompanhado esse movimento de startups e de pessoas buscando inovação e melhorias o tempo todo. Também tenho visto mudanças sociais, nas quais as novas gerações entendem que tudo deve ser permitido e aceito: mudança de sexo; relações com diversos parceiros; trabalhos remotos; encontros entre famílias nos quais a comunicação à mesa ocorre via whatsapp... Enfim, tudo está ok para eles.
 
Mas, confesso que para mim muitas coisas ainda são questionáveis.  Não digo que mudanças não são boas, porque são. Elas trazem nova energia, novas oportunidades. Entretanto, vejo que falta pensar em algumas coisas as quais eu sempre menciono: gente e relações humanas.
 
Neste mesmo dia, voltei para casa de metrô e, no meio daquele formigueiro de pessoas, parei em um canto para simplesmente observar aquela tropa que andava plugada na internet e desplugada do momento. Andavam como zumbis, sem nem sequer olhar para o lado. Eram fones de ouvido e celulares para toda parte. Quando não, encontrava um ou outro caminhando para a próxima estação, lendo um livro enquanto suas pernas os levavam.
 
Estamos vivendo disrupturas: indústria 4.0; chatbot; Watson; whatsapp; facebook, instagram; youtube; User experience; mindfullness... Tantas ferramentas, termos e conceitos que deprimem se resolvermos nos antenar a todos eles. Me pergunto se essa velocidade toda não causa outros revezes.
 
Conheço pessoas que têm medo do amanhã, de não conseguirem um bom emprego, de não serem boas o suficiente para se sustentarem diante dessa enxurrada de desemprego.
 
Parece desconexo, entretanto, a realidade é que para acompanhar tantas mudanças que ocorrem de forma tão veloz, tem que se ter pressa no andar e serenidade no respirar; caso contrário...é de pirar!
 
Minha avó, que tem 90 anos, dirige sozinha e é viúva, e tenta, há mais de 3 meses, que alguém da Eletropaulo vá na casa dela para trocar o quadro de luz, pois está tendo fuga de energia e sua conta vem aumentando constantemente.
A resposta que obtemos é que ela fique por 10 dias úteis em sua casa que alguém irá até lá fazer isso. E essa história já se repete pela terceira vez.
 
Daí me indago: tanta agilidade para tantas coisas, mas, onde está a preocupação com a qualidade de vida dos mais velhos? Temos que mudar nossa mente sim, sempre; mas devemos também entender que o mundo é feito de pessoas que, não necessariamente possuem um whatsapp para enviar a foto do quadro de luz; é feito por pessoas que não sabem o que significa escanear e atachar um documento.
 
Poderia ficar aqui discorrendo sobre inúmeras mudanças que vejo e das quais gosto ou desgosto. Porém, o que me assusta mesmo é pensar em como serão as relações humanas daqui a cinco, dez anos!
 
Haverá o momento do olho no olho? Ou será tudo por mensagem – digitada, diga-se de passagem, pois esta nova geração, inclusive, pede desculpas por estar gravando e, quando não pede, pergunta: “por que você não digita ao invés de gravar?” Entendo muitos pontos de vista, mas sinto uma certa tristeza quando penso que a agilidade cobra o preço do distanciamento e da frieza. É tanta conectividade que acaba desconectando pessoas de diferentes gerações.
 
Fica o ponto de reflexão: até qual velocidade conseguiremos acompanhar isso tudo?